sexta-feira, 9 de abril de 2010

HIP HOP CULTURA POPULAR

   

    Quando mais jovem, meu primeiro emprego foi como digitador para um centro de pesquisas em São Paulo.

    Minha rotina era ir de trem toda segunda-feira depois da aula para empresa na vila Mariana, retirar os quase 7 mil formulários que tinha que digitar durante a semana e voltar na segunda seguinte para devolver e retirar mais.

    Tudo isso justifica meu texto de hoje, uma certa vez voltando de trem me atrasei na estação barra funda, conseqüência? Peguei um trem muito lotado quase não consigo embarcar, na verdade uma mala de formulário quase ficou na plataforma, foi ai que entrou a solidariedade de um camarada. Ele me ajudou colocar a mala para dentro, depois de travar a porta duas vezes e a galera quase me expulsar do trem, uma vez que o trem não anda sem a porta fechar.

    Surgiu aí uma enorme conversa falamos de tudo, resumindo até descobrir quem era a figura, o nome dele era thaide, um negro, rapper, da periferia de Francisco Morato, foi através dele que passei a ver o rap com outro olhar.

    Por quase 10 meses me atrasava um pouco para esperar ele, que trabalhava como Office boy em uma empresa e vinha até Francisco Morato onde morava, assim a viajem rendia trocávamos várias idéias, enfim certo final de semana ele tocou com um grupo chamado GOG, na época era um grupo que tinha a musica mais tocada em sampa, passei a acompanhar o estilo, lendo e ouvindo bons grupos. Acredito que o hip hop hoje é uma das culturas que mais chega na cabeça dos jovens, por ser simples e objetiva pena que ainda é alvo de preconceito por alguns.

    Dia deste estava no Youtube e assisti um vídeo que me deixou mais admirado, grande GOG, assista:




    Conheça o camarada GOG:


    Pouca gente sabe o que significa GOG, pois ai vai a tradução, GOG significa ''Genival Oliveira Gonçalves''. GOG é diferenciado dos outros rappers, que poucos tem estudo, ele cuida para não colocar palavrões em suas músicas, pois ele fala que um Rap com muito palavrões, até tem gente que gosta, mas geralmente o Rap ganha inimigos ,GOG já chegou a estudar economia. GOG é o líder do grupo GOG, com as já consagradas Brasília periferia e Brasília periferia parte 2, além de dele o GOG também é formado pelos MC's Japão e Dino Black e mais o DJ Mano MIX, entre a liste de fãs do GOG estão o DJ KL Jay,DJ dos Racionais MC's e apresentador do Yo-MTV, GOG diz que ele é uma das pessoas que sustentam o Rap Nacional, GOG também gosta muito de Thaide, ele o acha um Rapper muito completo, tanto que em muitos outros discos de Rap os DJ's do grupos colocam frases de Thaide. Junto com o já extinto Câmbio Negro e o Baseado nas Ruas GOG abriu o caminho para o Rap de Brasília chegar a São Paulo,no inicio da século a única cidade que tinha gravadoras de Rap,assim GOG ajudou os grupos Monte Cerebral, Álibi e Cirurgia moral. Em suas letras GOG fala do cotidiano dos jovens que tem que enfrentar até 60Km para irem trabalhar nas repartições públicas de Baú sempre lotado, vida dura.Também fala sobre a má influência dos gringos em nosso país e em muitas músicas ele abre o peito para o público

terça-feira, 6 de abril de 2010

Julgamento do casal Nardoni é 'aula' de Direito

      Arthur Augusto dos Santos está no quinto ano do curso de Direito e nesta semana dedica o tempo livre a uma aula extracurricular para aprender como a teoria da sala de aula funciona na prática. Pela internet, ele acompanha o julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella. "É fascinante acompanhar o embate de gigantes que atuam no caso, a qualidade dos trabalhos. Ver que o júri não se atém somente à lei, mas também à oralidade e à persuasão da promotoria e da defesa", afirma ele. Pelo twitter estudantes encontraram um atalho para seguir o passo a passo do ritual.


      O jurista Luiz Flávio Gomes está no Tribunal e, a cada intervalo, posta informações na rede. "Ele passa informações técnicas e a gente tem aula lá de dentro, além de acompanhar pela TV." Ontem, Artur dizia que já tinha sua opinião formada sobre o caso: apesar do prejulgamento da opinião pública, o futuro advogado afirma que ainda falta materialidade (provas) para condenar o casal. "E na dúvida do júri, prevalece o réu. Mas como o julgamento é feito por pessoas, não é possível arriscar o resultado." A opinião de Artur não é unânime entre os colegas, por isso, o embate segue além do tribunal.


      "A discussão é tema de todas as rodinhas na faculdade e até na sala de aula." O desembargador e professor universitário José Renato Nalini confirma que o tema está nas salas de aula e ressalta que júri popular, por maior repercussão que tenha, não representa nem 1% da atuação do Direito, mas destaca que esta é considerada uma das últimas expressões diretas da democracia, já que são homens julgando seus semelhantes. "Também acompanho o julgamento e, como cidadão, acho que todos deveriam se colocar no lugar da família", afirma. Titular da disciplina de ética e filosofia, Nalini acrescenta que a conduta do juiz do caso, Maurício Fossen, dá uma lição.



      "A conduta ética dele como juiz é irrepreensível. Ele tem se demonstrado discreto, sensato e prudente." O advogado e professor de prática jurídica Luis Carlos Branco lembra que, além dos futuros profissionais da lei, os leigos também aprendem "Direito" com a repercussão do caso. "Não podemos entrar no mérito porque não examinamos os laudos, mas o efeito da repercussão é bom para todos verem como é feita a seleção do júri, além de aprender que o juiz é um organizador, quem vai decidir são os jurados", diz ele, que adianta: "O resultado vai render ainda mais análises."



Fonte: Jornal de Jundiai 25/03/2010 - Matéria Original
ANDRÉA LAVAGNINI